Meninas SuperCientistas estimula carreira científica entre alunas na Unicamp

Programação é voltada para meninas da 6ª à 9ª série do fundamental. Serão selecionadas cinquenta alunas para o projeto.

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

foto: José Cruz/Agência Brasil – Estão abertas, até a próxima quarta-feira (12), as inscrições para a segunda edição do Meninas SuperCientistas, evento que tem como finalidade despertar a curiosidade de estudantes mulheres pela ciência.

Organizadas por professoras e alunas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as atividades serão realizadas durante todo o mês de março, sempre aos sábados, e terminam no dia 4 de abril. 

A programação incluirá palestras, oficinas e exercícios práticos, dentro e fora das dependências da Unicamp. Entre as atividades externas, destaca-se uma visita ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), base do acelerador de partículas Sirius, considerado uma das mais complexas estruturas científicas já arquitetada no país. 

Para se inscrever, é necessário cumprir alguns pré-requisitos: ser do gênero feminino, estar cursando entre a 6ª e a 9ª série do ensino fundamental, ter disponibilidade para comparecer a todos os dias do evento e autorização de um responsável. O formulário está disponível em página da Unicamp

A organização também está recebendo inscrições de mulheres que queiram participar como monitoras das adolescentes. Exige-se que a interessada possa estar presente em todos os dias do evento. Além disso, a idade mínima estabelecida para a função é de 18 anos.

Estímulo

A idealizadora do evento, Marcela Medicina Ferreira, se lembra bem do entusiasmo que sentiu de imediato, ao conhecer o projeto Meninas com Ciência, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciado em 2016. A alegria de ver tantas cientistas terem amplo reconhecimento fez surgir a centelha que a encorajou a replicar a ideia na instituição onde ela mesma estudava. 

A emoção foi também relatada por meninas que estiveram na primeira edição organizada por ela. Segundo Marcela, ao final do evento, a organização pediu às jovens que comentassem como aquilo havia afetado suas vidas e muitas delas afirmaram que estavam se sentindo muito motivadas, porque na escola aprendiam somente sobre as descobertas de cientistas homens. 

Ela conta que até hoje observa o poder mobilizador reverberando nas garotas, que escrevem coisas como “daqui a alguns anos, sou eu aí!” quando posta fotos dela no ambiente acadêmico. “Ver esse exemplo de várias mulheres com pesquisas legais ou à frente de projetos que não imaginariam foi uma coisa transformadora. Algumas meninas, de escolas públicas, não conheciam a Unicamp. Praticamente nenhuma tinha entrado numa universidade”, acrescenta Marcela, que cursa bacharelado em matemática aplicada na Unicamp.

Marcela pontua que o perfil do público do evento também não foi feito ao acaso. Ela diz que há diversos estudos que comprovam que é em determinada faixa etária que adultos começam a tentar convencer as meninas de que devem seguir determinadas carreiras e de que o melhor é que desistam de áreas tidas como masculinas. “Ou as pessoas falam para não irem para essas áreas, ou já não têm ninguém as incentivando a buscar experiências desse tipo”, emenda.