Com 160 aguardando internação, “kit intubação” dos hospitais tem baixa de estoque em Campinas

Semana foi marcada por aumento significativo de casos, implantação de toque de recolher e recorde de óbitos no município. Já há crianças na UTI

foto: reprodução Youtube – Os números da covid-19 estão extremamente altos e a situação pode sair do controle tanto nos hospitais públicos, quanto nos particulares. Na última quinta-feira o hospital Beneficência Portuguesa parou de atender clientes Unimed no PS devido não ter mais leitos para atendimento. Também na quinta a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) promoveu um Fórum Extraordinário para discutir o colapso do sistema de saúde em Campinas e região. A taxa de transmissão da doença em Campinas é de 1,23 (cada 100 pessoas infectadas, infectam mais 123)

“Estamos muito preocupados com a situação que estamos encontrando [nos hospitais]… este ano estamos numa situação até pior do que o ano passado”, destacou a presidente da SMCC, Fátima Ferreira Bastos.

“Situação bastante difícil para a Rede Mário Gatti… para toda a cidade na verdade”, disse o diretor da sala de situação da Rede Mário Gatti de Campinas, Carlos Arca, após apresentar os números do dia 18.

No fórum foi apresentado, que as unidades de pronto atendimento recebiam em média 120/130 pacientes com quadros respiratórios ruins, e atualmente são mais de 150 pacientes por dia. “o que chama a atenção é a gravidade dos casos e a faixa etária, que vem diminuindo”, completou Carlos Arca.

No HC da Unicamp, que recebe pacientes de várias cidades, além de Campinas, o cenário atual é igual: “A situação é dramática, a curva de casos internados e atendimento, de fevereiro pra cá, vem subindo dramaticamente. Na UTI pediátrica há duas internações…a taxa infantil [de casos covid-19] também tem aumentado… os estoques estão muito críticos… o que nós estamos discutindo com as equipes este cenário de ter que escolher paciente….”, alertou Antônio Gonçalves, Superintendente do HC Unicamp.

Novos leitos de UTI COVID no HC Unicamp: Alta demanda de casos adultos e infantis (foto divulgação).

Hospital Ouro Verde: atendimento exclusivo para pacientes covid (foto ouroverdemais).

Com a grave situação, o ouroverdemais pediu os números de estoques dos remédios do “kit intubação” para a prefeitura de Campinas. Os números não foram divulgados, o ouroverdemais recebeu a seguinte nota:

A Rede Mário Gatti mantém compras regulares e extraordinárias (emergenciais) para regularizar o estoque frente à necessidade. Não houve, até agora, desabastecimento nas unidades da rede, apenas dificuldades para entrega devido à demanda. Mesmo com a regularidade dos processos de compras, algumas empresas não estão conseguindo fazer a entrega dos itens no prazo. Isso pode ocorrer devido a dificuldades para produção no ritmo da demanda do mercado, para importação de insumos em volume necessário para manter o abastecimento. A Rede está abastecida, mas com baixa de estoque em alguns produtos e espera por entrega. Por isso, os processos de compras são mantidos abertos, permitindo o recebimento diário de materiais.

No mesmo dia do encontro Campinas bateu um triste recorde: 30 mortes causadas pela covid-19 em 24h. O recorde anterior era de 14/07 de 2020, com 26 óbitos em um único dia.

O secretário de Saúde de Campinas, Lair Zambon, destacou a necessidade de cooperação de toda a sociedade, pois não há indicadores de que a situação vá melhorar nos próximos dias. “O cenário realmente é duríssimo para todos”, enfatizou.

O prefeito de Campinas Dário Saadi (foto: Fernanda Sunega).

Prefeito descarta lockdown “neste momento”

Mesmo com o cenário grave, e o prefeito admitindo que: “Nós já passamos do limite de capacidade de atendimento, principalmente na UTI e enfermaria, por isso, a gente pede que todos colaborem”, a prefeitura descartou decretar lockdown em Campinas. De acordo com Dário Saadi, o lockdown é uma medida de difícil operacionalização e não será adotado, no momento, principalmente por causa do impacto que a suspensão do transporte coletivo teria no setor de saúde. “Mais de 25 mil pessoas trabalham na área da saúde em Campinas. A maioria delas não tem carro e precisa chegar até ao trabalho por ônibus. Outra preocupação é a vacinação contra a Covid-19, já que muitas pessoas vão até os Centros de Imunização de transporte coletivo”.
O que assusta também é a inércia da Câmara Municipal de Campinas. Os 33 vereadores, pagos pela população (e com muitas regalias) não fizeram nada, de fato, para ajudar a cidade. Apenas apresentaram propostas, fizeram debates vazios e ativismo nas redes sociais. Nenhum parlamentar participou do fórum da SMCC, o que demonstra também, o descompasso das organizações. Esse grave cenário foi alertado pelas autoridades médicas desde de dezembro do ano passado. De acordo com as autoridades médicas, a previsão para os próximos dias é de aumento nos casos de covid-19. A população precisa, mais do que nunca, fazer a sua parte: distanciamento social, usar máscara e higienizar as mãos, até que a maioria das pessoas recebam a vacina.   

Fiscalização da GM no primeiro dia do toque de recolher em Campinas (foto: Adriano Rosa).

É possível acessar o conteúdo dos Fóruns SMCC no canal da Sociedade em https://cutt.ly/VuQfOZx