Hospital Ouro Verde completa 12 anos

Ícone da nossa região, complexo hospitalar foi inaugurado no dia 10 de junho de 2008

fotos: Alle Barbi / Fernanda Sunega / Carlos Bassan / Luiz Granzotto / PMC – Hoje, 10 de junho, o Hospital Ouro Verde completa doze anos de serviços prestados à população. Antiga reivindicação desde a década de 1980, o hospital teve uma inauguração agitada, com a presença até do então presidente da república da época. Atualmente, com cerca de 1.100 funcionários e 500 atendimentos por dia só no pronto-socorro, o Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi, é um colosso que se destaca no Distrito do Ouro Verde. E possui uma equipe que presta um belo trabalho aos pacientes.

Para celebrar a importante data, o Ouro Verde Mais, conversou com a diretora técnica do hospital, a neurologista Cynthia Herrera, servidora pública municipal concursada há 20 anos, para saber como está a administração do hospital, o atendimento à população e as ações em tempo de coronavírus. Acompanhe:

A diretora técnica do Hospital Ouro Verde, Cynthia Herrera.

O.V.M. – Quantos atendimentos são realizados no hospital por dia?

C. H. – Somente no pronto-socorro, cerca de 500 ao dia. Sem contar as internações hospitalares e procedimentos cirúrgicos (no momento, reduzidos pela questão da pandemia).

Quantas especialidades o hospital atende?

Na área hospitalar, temos clínica, cirurgia geral, pediatria, ortopedia, psiquiatria, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia, cardiologia, anestesia e neurologia.

Quantos funcionários o hospital possui?

Ao redor de 1100. 

Em junho, (dia 10) o Hospital Ouro Verde completa 12 anos. Como é estar à frente desse importante hospital para a região?

Não estou “à frente”. Sou apenas servidora de um time de gestão muito dedicado e que valoriza cada um dos colaboradores que construíram, e ainda constroem, a história deste hospital.

Vista aérea do Complexo Hospitalar Ouro Verde.

O HOV sempre foi a principal reivindicação da população aqui para a região. É a principal via à saúde para muitos do Ouro Verde e do Campo Grande. Como é saber disso e ter a responsabilidade de coordenar uma equipe de profissionais da saúde e cuidar da saúde de muitas pessoas carentes?

É um equívoco achar que o Ouro Verde cuida de “pessoas carentes”. Na realidade, cuidamos de “pessoas”, sejam carentes ou não. O SUS é universal. Entre o nosso público, temos pessoas carentes, claro, mas temos muitos profissionais autônomos, pequenos comerciantes, estudantes, funcionários de empresas alimentícias, metalúrgicas, do aeroporto, etc., enfim, um público eclético que compõe esta região vasta e dinâmica que é o Ouro Verde.

Adicionalmente, é importante mencionar que cerca de 40% dos pacientes internados no Hospital Ouro Verde são de municípios ou distritos vizinhos, demonstrando o potencial de hospital referência regional. Ou seja, o Hospital Ouro Verde não serve apenas a população local.

Estamos passando por uma pandemia, a do coronavírus, que causou impactos em toda a sociedade, e principalmente na área da saúde. Mesmo com os primeiros casos na China, e depois também na Europa, já era certo que o vírus chegaria no Brasil, e em Campinas. Como o HOV se preparou para essa “batalha”?  

Da mesma forma que os hospitais públicos do município: sob a orientação unificada do departamento de vigilância epidemiológica e do Comitê Gestor Covid-19 da Prefeitura Municipal de Campinas.

Do mês de março (quando foi registrado o primeiro caso de covid-19 em campinas) até a primeira semana de junho, quantos pacientes com a doença foram atendidos no HOV?

Não consigo precisar, pois estes dados são compilados e fornecidos pelo Devisa de Campinas. Eles são obtidos a partir do momento em que os casos hospitalares notificados finalmente recebem os resultados do exame PCR (que são liberados pelo Instituto Adolfo Lutz de São Paulo).

Complemento Assessoria de imprensa: mapas com casos por região podem ser consultados no https://covid-19.campinas.sp.gov.br/ na parte de Recomendações Técnicas – Boletim Epidemiológico COVID-19 Campinas Edição 07 – em 5 de junho2020.

Em abril, a Unicamp divulgou um estudo, em que apontou os distritos do Ouro Verde e do Campo Grande como áreas de grande probabilidade de contágio da Covid-19? Baseado nos atendimentos, esse quadro se confirmou?

Todos os locais com alto adensamento populacional e baixa adesão às medidas de isolamento social são naturalmente mais vulneráveis. A Vigilância Epidemiológica do Município de Campinas tem apontado que esta é a tendência se confirmando.

Ainda no assunto Covid-19, o paciente com suspeita da doença deve primeiro procurar o posto de saúde? Quando ele deve procurar o HOV?

Os manuais de orientação do Ministério da Saúde valem para todo o país, inclusive para Campinas! Neles, há a clara especificação que os pacientes com sintomas gripais leves (coriza, tosse ou febre) devem permanecer em casa ou procurar a unidade básica de saúde. Idealmente, apenas pacientes com sintomas de falta de ar, cansaço, confusão mental e prostração devem procurar hospitais.

O HOV completa 12 anos em 2020, e nas redes sociais temos a percepção que há médicos, enfermeiras e técnicos e demais profissionais comprometidos com o hospital. De fato, temos profissionais que realizam com orgulho o trabalho no hospital?

Sim, o maior patrimônio deste hospital são os seus colaboradores e gestores. O CHOV não é apenas mais um hospital, mas sim a segunda casa e a segunda família de muitos de nós.

O hospital possui uma comissão de humanização, que realiza um belo trabalho. Inclusive tem a BANDA HUMANIZA CHOV. De quem foi a ideia de criar essa comissão? Como é o trabalho realizado e qual o objetivo dessa comissão?        

O Hospital Ouro Verde é unidade integrante da Rede Mário Gatti. A coordenadoria de humanização é quem organiza estas atividades. Mas as iniciativas locais, tais como os talentos musicais entre nossos colaboradores, os quais deram origem à banda Humaniza CHOV, também são muito valorizadas e apreciadas.

Nesses 12 anos de história, infelizmente o principal caso envolvendo o HOV é o de corrupção, que ganhou repercussão nacional. A população comenta até hoje. De acordo com o GAECO foram roubados dos cofres públicos R$24 milhões. Profissionais com salário atrasado, greves e atendimento precário devido à corrupção. Como é ter profissionais trabalhando exaustivamente para atender a população carente e ter essa mancha na história do hospital?   

A mancha não é da história do hospital, nem da história dos seus trabalhadores! A mancha deve ser deixada exclusivamente na conta dos investigados pelo ministério público e já condenados pela justiça. Ao hospital, cabe apenas focar na sua vocação e seguir em frente, firme na sua missão assistencial de ser referência regional. O Hospital Ouro Verde é, acima de tudo, um patrimônio público, integralmente administrado pela gestão pública da Rede Mário Gatti.

Apesar dos momentos de crise vividos no passado, acredito que por uma questão de respeito institucional, e de reconhecimento ao excelente trabalho executado pelos nossos trabalhadores ao longo desses quase 12 anos, o nome Hospital Ouro Verde deve ser descolado dos infelizes atos criminosos praticados, no passado, por pessoas que em nada representam essa instituição. O Hospital Ouro Verde é motivo de orgulho para seus trabalhadores e uma conquista da população.

Especialmente nos últimos 3 anos, houve um trabalho intensivo para o resgate da autoestima e valorização deste patrimônio municipal. Aliás, graças a isso, hoje podemos sentir orgulho desta reconquista. Estamos firmes e altamente produtivos em um dos momentos mais dramáticos da história deste país, sendo hospital de referência no enfrentamento à pandemia pelo novo coronavírus.

Na sua opinião, se os políticos, incluindo prefeito e vereadores e seus familiares usassem o SUS, a saúde pública seria melhor?

Todos nós, mesmo os que acham que não, somos usuários do SUS! Todos nós devemos defendê-lo para que se fortaleça cada vez mais!