Saiba quem pode usar. Medicamentos são indicados para obesidade, diabetes e outras condições; especialista alerta para riscos do uso por conta própria e de produtos sem procedência
Fotos: Divulgação – As chamadas “canetas emagrecedoras” se popularizaram nos últimos anos, principalmente, pela capacidade comprovada de perda de peso, embora esses medicamentos também tratem diabetes tipo 2 e outras condições.
Segundo a endocrinologista Lilian Suzigan, da Rede Mário Gatti, as versões aprovadas pelos órgãos competentes, quando utilizadas corretamente, são seguras e eficazes, mas a compra de produtos sem procedência e uso sem acompanhamento médico podem trazer riscos à saúde.
O assunto foi abordado no podcast PodGatti, da Rede Mário Gatti:
As principais medicações dessa classe atuam em vias hormonais relacionadas à regulação do apetite e da glicemia, aumentando a saciedade, reduzindo a fome e retardando o esvaziamento gástrico.
Estudos clínicos mostram que alguns desses medicamentos podem proporcionar perdas de peso superiores a 15% do inicial em determinados pacientes, especialmente nas maiores doses estudadas.
Os resultados, porém, variam de acordo com o medicamento, a dose, o tempo de tratamento e as características de cada paciente. “Existem os [pacientes] bons respondedores e os maus respondedores. Você tem que avaliar a resposta desse paciente”, explica a endocrinologista.
A indicação deve ser feita por profissional de saúde, a partir da avaliação individual do paciente. Entre as situações em que esses medicamentos podem ser indicados estão diabetes mellitus tipo 2, sobrepeso associado a comorbidades e obesidade.
Também existem indicações relacionadas a condições como esteatose hepática (gordura no fígado) e síndrome da apneia obstrutiva do sono.
Em casos de sobrepeso, a avaliação não deve considerar apenas o peso ou o índice de massa corporal (IMC). A composição corporal, o percentual de gordura e a circunferência abdominal também são analisados para definir a estratégia de tratamento.
Um dos motivos para o acompanhamento médico é que a dose dos medicamentos precisa ser ajustada de acordo com a resposta de cada paciente. Não é necessário que todas as pessoas cheguem à dose máxima.
“Não é porque o remédio tem uma dose de 15 mg [miligramas] que eu preciso chegar nessa dose. Tem os bons respondedores, que com uma dose mais baixa atingem uma perda de 15% a 20% do peso. Então, isso vai variar muito”, detalha a médica.
Ela explica que o aumento indiscriminado da dose pode causar problemas de saúde.
A médica também alerta para o risco de iniciar o tratamento sem orientação profissional ou utilizar doses maiores do que as recomendadas.
“Às vezes, a pessoa começa a usar por conta própria, com uma dose muito alta, e acaba indo parar no hospital porque não consegue parar de vomitar ou de ter diarreia. É muito perigoso. Por isso, é tão importante fazer o acompanhamento”, alerta.